Após 14 anos, o Açude Orós, segundo maior reservatório do Ceará, voltou a sangrar na noite deste sábado (26). O transbordamento, muito aguardado pela população, foi registrado pela Prefeitura de Orós e celebrado com grande festa às margens do açude, no Centro-Sul do Estado.
Com capacidade para armazenar 1,9 bilhão de metros cúbicos de água, o Orós vinha recebendo recargas expressivas desde o início da quadra chuvosa, em fevereiro. A última vez que o reservatório verteu foi em 27 de abril de 2011 — coincidência de datas que tornou o momento ainda mais simbólico. Para marcar o acontecimento, a Prefeitura realizou um evento especial, com programação musical, feira gastronômica e exposição de artesanato, atraindo moradores locais e visitantes de outras cidades.
A sangria representa uma virada histórica para o açude, que havia enfrentado um longo período de seca entre 2012 e 2020, chegando a registrar apenas 4,73% de sua capacidade em 2020. Desde então, o Orós passou por um processo gradual de recuperação, encerrando 2024 com 58,72% do volume, conforme dados do Portal Hidrológico da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh).
O açude integra a Bacia do Alto Jaguaribe e é essencial para a perenização do Rio Jaguaribe, além de atender atividades como irrigação e piscicultura. Recentemente, em reunião com os Comitês de Bacias do Vale do Jaguaribe e Banabuiú, definiu-se uma vazão média de 1,5 m³/s para o uso das águas em 2025, garantindo abastecimento sustentável para a região.
Construído para ser a principal “caixa d'água” do Ceará até 2002 — quando foi superado pelo Açude Castanhão —, o Orós reafirma agora sua importância estratégica para o Estado, ajudando também na recarga do Rio Jaguaribe e, consequentemente, do Castanhão, o maior reservatório cearense.

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